 | fantasma da maquina | Apr 2, 2008 |
Ele desistiu. Antes de ter visto que era longe demais. Antes de ouvir que era forte de menos. Antes de se escorar na parede do túnel que ele já vira. Antes de se incomodar com os pernilongos. Antes de ouvir as respostas erradas. Antes mesmo de fazer as perguntas. Ele desistiu. Olhou para longe tentando esquecer do quanto estivera perto. Sentou em uma pedra para não lembrar de que caminhava. Escreveu uma dedicatória numa revista de moda. Preparou um envelope com uma carta em branco. Lembrou de todos os endereços que conhecia. Inventou uma porção de razões para estar em pé. Ele desistiu. Pois tinha vontade de algo que não lhe ocorria claramente. Pois era tão frio quando anoitecia de repente. Pois os jovens sempre precisavam de apoio dos pais. Pois a revolução de que se lembrava era inócua. Pois seus livros não o convenciam de todo. Pois era de pequeno que viu as coisas funcionarem. Ele desistiu. Nem tentou. quis esta fome tenho-a agora
muita
caso-me dia 17 sem dote sem vestido sem festa sem anel sem bouquet sem faca nem queijo com fome apenas muita
parto para a Bahia dia 30 de Abril na mala: nem passado nem futuro nem plano nem destino nem ânsia nem medo nem faca nem queijo na mala : fome apenas muita
a seu tempo comerei muito demasiado quase tudo
a seu tempo voltarei enfardada regurgitando a gula vomitando o excesso em palavras transformado
a seu tempo escreverei ____________ tudo até eu _______________________________toda ser___________ de novo _____________apenas fome UM SONHO NUM SONHO Este beijo em tua fronte deponho! Vou partir. E bem pode, quem parte, francamente aqui vir confessar-te que bastante razão tinhas, quando comparaste meus dias a um sonho. Se a esperança se vai, esvoaçando, que me importa se é noite ou se é dia... ente real ou visão fugidia? De maneira qualquer fugiria. O que vejo, o que sou e suponho não é mais do que um sonho num sonho. Fico em meio ao clamor, que se alteia de uma praia, que a vaga tortura. Minha mão grãos de areia segura com bem força, que é de ouro essa areia. São tão poucos! Mas, fogem-me, pelos dedos, para a profunda água escura. Os meus olhos se inundam de pranto. Oh! meu Deus! E não posso retê-los, se os aperto na mão, tanto e tanto? Ah! meu Deus! E não posso salvar um ao menos da fúria do mar? O que vejo, o que sou e suponho será apenas um sonho num sonho? O tempo é indivisível. Dize, Qual o sentido do calendário? Tombam as folhas e fica a árvore, Contra o vento incerto e vário. A vida é indivisível. Mesmo A que se julga mais dispersa E pertence a um eterno diálogo A mais inconseqüente conversa Todos os poemas são um mesmo poema, Todos os porres são o mesmo porre, Não é de uma vez que se morre… Todas as horas são horas extremas! Em resposta aos dizeres seus Vendo a esperança desmaiar por sobre os ombros Qual jóia falsa a pender de algum pescoço Fantasia interrompida
Um homem se propõe a tarefa de desenhar o mundo. Ao longo dos anos, povoa um espaço com imagens de províncias, de reinos, de moradas, de instrumentos, de astros, de cavalos e de pessoas. Pouco antes de morrer, descobre que esse paciente labirinto de linhas traça a imagem de seu rosto Minha Boemia (fantasia) Eu caminhava, as mãos soltas nos bolsos gastos; O meu paletó não era bem o ideal; Ia sob o céu, Musa! Teu amante leal; Ah! E sonhava mil amores insensatos
Minha única calça tinha um largo furo. Pequeno Polegar, eu tecia no percurso Um rosário de rimas. A Grande Ursa, O meu albergue, brilhava no céu escuro.
Sentado na sargeta, só, eu a ouvia Nessa noite de setembro em que sentia O odor das rosas, que vinho vigoroso!
Ali, entre inúmeros ombros fantásticos, Rimava com a débil lira dos elásticos De meus sapatos, e o coração doloroso!
 Todas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor, Como as outras, Ridículas. As cartas de amor, se há amor, Têm de ser Ridículas. Mas, afinal, Só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor É que são Ridículas. Quem me dera no tempo em que escrevia Sem dar por isso Cartas de amor Ridículas. A verdade é que hoje As minhas memórias Dessas cartas de amor É que são Ridículas. (Todas as palavras esdrúxulas, Como os sentimentos esdrúxulos, São naturalmente Ridículas). Álvaro de Campos  | mascaras | Apr 3, '08 10:04 AM for everyone |
 Não consigo mover uma palha para sair do emaranhando de emoções confusas como o paradoxo matemático da lógica e da emoção, onde o certo se torna errado e o errado continua errado em ser disfarçado e colocado na esquina da razão. Tento de todas as formas matar algo que nasceu tão espontaneamente como o fogo que nasce do calor do sol. Se houvesse barreiras para bloquear tão manifestação eu já teria colocado milhares. Mas havia centenas de milhares delas e nenhuma conseguiu impedir que fosse criado um caminho paralelo para que isso nascesse. A cada dia sou um novo ator. Crio um novo personagem para me esconder. Cada dia uma trama a ser desfeita, um laço a ser dado um nó a ser cortado, uma ponte a ser quebrada. Cada dia uma dor dilacerante como se cada pedaço de célula que existe dentro do meu coração fosse separado em formas subquanticas a ponto de destruí-lo com uma frase e o regenerar com um sorriso. A cada momento que se passa eu sou um guerreiro mais forte que o anterior, sempre lutando dentro de si mesmo para esconder algo que quase todos já viram. A cada passo que dou em direção ao que acho certo eu me afasto do que sinto, como se meu destino me empurrasse para a direção do amor, mas minha razão empurra para uma direção no qual meu amor vai morrer com o tempo ou o esquecimento, ou então viver para sempre fantasiado de sol púrpura numa tarde chuvosa. E cada vez que eu vou a direção desse amor, os caminhos ficam cada vez mais minados, perigosos, tortuosos e por que não dizer, mortais? Minha alma está solta, mais meu coração usa uma máscara sem expressão que o deixa cada vez mais duro e frio quando ele quer totalmente o contrario. Se eu falar o que penso, se eu pedir o que quero, se eu desejar o que desejo, se eu gritar pelo que anseio, se eu amar o que eu amo, se eu demonstrar o que sinto tudo vai se tornar uma incógnita tão grande que nem a perplexidade do universo seria algo comparável. Se tudo isso vier à tona um universo nasce enquanto outro morre. O que nasce pode ser tão bom quanto o que existe. Se o que nasceu espontaneamente não for aceito, o já existente pode ser modificado para o bem ou para o mal. Deverás complicações para um único amor. Enquanto nada acontece, continuarei sendo um guerreiro imbatível a cada dia que se passa. Um ator perfeito que passará boa parte do tempo atuando pra esconder o quão apaixonado eu estou. Ou então, na pior das hipóteses: Jogar esse amor em um cofre e viver sofrendo eternamente com ele, esperando que ele morra tão espontaneamente como ele nasceu, por que simplesmente eu não pedi pra te amar, mas acabei me apaixonando por ti.  ESTA É A CAPA DO LIVRO. A CRIATURA FINALMENTE ABRIU OS OLHOS DURANTE UMA DELICIOSA TEMPESTADE QUE ACONTECEU HOJE AQUI. FOI UMA SENSAÇÃO INTERESSANTE. TROVÕES, VENTO E AQUELAS LETRAS PEQUENAS DE LIVRO BARATO QUE DÃO SONO. VEJA QUE BELO TRECHO: "AGORA EU ERA LEVADO A EXAMINAR CAPELAS MORTUÁRIAS E CATAMCUBAS. MINHA ATENÇÃO SE FIXAVA EM OBJETOS CUJA VISTA ERA A MAIS INSUPORTÁVEL PARA A DELICADEZA DOS SENTIMENTOS HUMANOS. EU VIA COMO A BELA FORMA DO HOMEM SE DEGRADAVA E DECOMPUNHA; EU ASSISTIA A CORRUPÇÃO DA MORTE SUCEDER À FLORESCÊNCIA DA VIDA;CONTEMPLAVA COMO OS VERMES HERDAVAM AS MARAVILHAS DO OLHO E DO CÉREBRO." (MARY SHELLEY)  HOJE UM CARA ME DISSE QUE LEU A IDADE DA RAZÃO DE SARTRE E ABSORVEU DE TODO O LIVRO UMA FRASE: “VOCÊ É MUITO BOM, MAS NÃO SERVE”. SE FOSSE POSSÍVEL DIZER TODA A VERDADE...ISSO SIM, SERIA LITERATURA DE ALTO NÍVEL. MAS NÃO É. ESTAMOS PRESOS A UMA MORAL IMPOSTA . ESTAMOS TODOS CONTAMINADOS POR UMA VAIDADE SEM LIMITES. VAIDADE ATÉ PARA SER ESCROTO. O SOFRIMENTO NÃO MELHORA O CARÁTER DE NINGUÉM, ACHO QUE PIORA, E MUITO. FICAR DOENTE TEM ALGUMA VANTAGEM, VOCÊ ACABA SENDO POUPADO DE EVENTUAIS HUMILHAÇÕES, SÓ QUE A ABSOLUTA CONSCIÊNCIA DISSO, SIMPLESMENTE DETONA A SITUAÇÃO.  GOSTO DE NUTRIR AMOR POR FANTASMAS VIRTUAIS. TÃO PERFEITO. TÃO LONGE.  | orkut | Apr 3, '08 9:02 AM for everyone |
Quanta diferença... Eu beberei veneno até que fique imune Eu gritarei com meus pulmões até que encha este quarto
 | sombras | Apr 3, '08 1:29 AM for everyone |
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